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  • 26/06/2010 - Corra, mas não coloque sua vida em risco!

    A possibilidade de uma não detecção de doenças cardíacas de risco em exames feitos com um cardiologista experiente em esporte é de 2%. Sendo assim, como evitar a morte súbita no esporte?

     

    Este assunto veio à tona quando um brasileiro de 58 anos que correu a Maratona de Nova York do dia 02/11/2008 faleceu. Para saber a causa da morte do atleta foi importante averiguar como este brasileiro foi avaliado antes da maratona. Segundo o laudo médico, a causa da morte foi uma parada cardíaca, mas de acordo com a empresa em que ele trabalhava, todos os exames clínicos pré-prova estavam OK. Ele sentiu-se mal durante a maratona e avisou um colega, mas continuou a correr e aí teve a parada cardíaca. 

     

    Este fato pode ocorrer quando:


    - O médico não cardiologista não possui conhecimento em detectar alterações, mesmo discretas, nos exames de pré-participação;


    - O atleta não presta atenção no próprio corpo. Um significativo percentual de atletas que tiveram morte súbita apresentaram sintomas premonitórios não valorizados até 10 dias antes da prova (estudo da American Heart Association de 2000).

     

    - O atleta com mais de 40 anos deve saber que Correr Maratona não é como passear no Shopping. Ele precisa de preparação física e técnica orientada, além de avaliação médica especializada em cardiologia do esporte, ao menos de seis a nove meses antes;


    - Na verdade, é impossível falar que existe o risco zero ao praticar algum esporte. Sendo assim, qualquer evento médico deveria ser esmiuçado aos mínimos detalhes, para que se possa prevenir o atleta ao máximo, com as limitações razoáveis do ser humano.

    Por causa desses itens relatados aqui, não devemos tapar o sol com a peneira, vamos ter mais problemas sem dúvida. Os exageros e falsas garantias de sucesso são parte do dia-a-dia do modismo das corridas (muitas sem responsabilidade pelo Brasil afora). Boas empresas de consultoria física nós temos, os clientes chegam aos montes, então o que fazer?


    - Não se pode facilitar os pré-requisitos de avaliações pré-participação que devem ser sempre completas;


    - Não desvalorizar pequenas alterações que são encontradas e, neste caso, não deixar de solicitar uma segunda opinião ou junta médica com humildade e responsabilidade, visando o bem-estar do paciente. Afinal, ninguém sabe de tudo e nem é anjo!

     

    Por esses motivos, é aconselhável que qualquer mal-estar no esforço deva ser valorizado e comunicado ao médico. Pratique atividades físicas, porém, fique atento!



    Dr. Nabil Ghorayeb, CRM 15715, é médico cardiologista, especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – Associação Médica Brasileira e Doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP. É também especialista em Medicina do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – AMB. Coordenador Clínico do Sport Check-up-HCor do Hospital do Coração da Associação do Sanat Sírio (SP). Chefe da Seção Médica de Cardiologia do Exercício e do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.


  • Dr. Nabil Ghorayeb
    www.exercitandosaude.com.br
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